quinta-feira, 2 de maio de 2013

O MISTERIO DE MIRIAN





MIRIAN VAI VOLTAR !

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Era uma tarde de Julho, fazia frio, o céu azul com algumas nuvens que passavam lentamente empurradas por um vento fraco.

Subia eu por um caminho entre as palmeiras que plantei nas terras de meu pai, como sempre faço quando quero ficar sozinho.

Quando cheguei no final do caminho de onde posso ver toda a plantação, parei para contempla a paisagem e ouvir os passaros que ali procuram alimento e refugio, mas algo estranho estava acontecendo, não havia passaros.

Silencio, sim um silencio assustador, o vento soprava, mas não tocava em mim, as folhas das palmeiras movimentadas pelo vento cada vez mais forte batiam uma contra as outras como em uma dança frenetica, as nuvens passavam cada vez mais rápido em uma velocidade impressionante e mesmo no meio daquela demonstração de força impiedosa dos ventos, eu nada sentia e o vento não tocava em mim.

Eu estava imovel sem poder ouvir ou sentir aquela apresentação sinistra da natureza, como se eu não fizesse parte daquele cenário.

Derrepente uma vóz de mulher chamou pelo meu nome, tentei me virar para ver mas foi impossível, todo o meu corpo estava imovel e eu não conseguia me virar para ver quem me chamava.

Por mais duas vezes ouvi chamar e então como que levado por varias mãos fui, em um movimento suave colocado diante de quem pelo meu nome chamava

Linda! Eu estava diante de uma linda mulher.

Seus cabelos ruivos e longos chegavam abaixo da cintura, eram levemente ondulados e caiam por sobre os ombros, seu rosto rosado com traços delicados transmitia uma douçura de mulher, seus labios vermelhos revelavam sensualidade em contraste com o rosto angelical de menina-mulher, de malicia e inocência, uma mistura dificil de ser definida.

Olhos lilás, lindos olhos lilás; Havia algo de estranho naqueles olhos lilás.

Seu corpo estava todo coberto por uma fina vesti de cor verde, bem fina e clara, quase podia ver seu corpo nu; Confesso que fiz um grande esforço para ver atravez das vestis verde que cobriam aquele corpo da mulher que imovel e em silêncio, permanecia me observando.

Correndo com os olhos mas desejando fazer o mesmo com as mãos, percebi que seus pés não tocavam o chão.

Pensamentos passam em minha mente de forma confusa, enquento observava cada detalhe da mulher que estava a pouca distancia de mim, tão perto que podia sentir seu perfume provocador.

Procurei controlar meus pensamentos, para não cometer o erro de desejar aquela mulher mais do que ja estava desejando.

-Eu sou Mirian! (quebrando o silêncio, disse a mulher). Apesar do leve movimento de seus lábios, pude ouvir com clareza, o som de sua voz era delicado e bem audível.

-Eu sou Mirian e vim para aquele que chama por mim, a graça me foi dada para que não volte a se perder aquele que chama por mim.

-Artur, eu sou Mirian! (continuou a mulher) Não vou perder aquele que me foi dado, minha mão esta sobre sua cabeça!

O silêncio se fez novamente presente, eu tentei falar, por Deus como tentei! Mas não conseguia, desejei com todas as minhas forças tocar em seu corpo, em seu rosto, e em seus cabelos, mas não conseguia me mover, meu coração batia com tanta força em meu peito que fazia todo o meu corpo vibrar.

Em um movimento que não pude perceber, Mirian aproximou-se e ficou tão perto que podia sentir o calor de seu corpo no meu, sua boca ficou na altura de meus olhos e seus seios encostados em mim me faziam ir do prazer da carne ao êxtase da alma, seus lábios tocavam minha fronte.

Seus lábios macios entre meus olhos, era como se todo meu corpo estivesse sendo beijado por aqueles lábios de mulher, seu perfume me envolvia em uma atmosfera de misterio e prazer, eu ja não sentia meus pés no chão.

Com as mãos, Mirian tapou meus ouvidos e minhas vistas escureceram, a unica coisa que percebia e ainda podia sentir era seu perfume provocador.

Depois de algum tempo ali imovel e sem nada ver, comecei a ouvir vozes de pessoas conversando ou talvez rezando, não sei bem ao certo. Em meio aquela confusão de vozes começaram a se destacar duas, uma masculina e a outra feminina.(Discutia a mulher com o homem):

-Doutor, pelo amor de Deus, deixe-me ver minha filha! Traz a minha menina devolta!

-Senhora, (responde o homem) sua filha esta em coma e já fizemos tudo o que foi possível agora só nos resta esperar; Senhora, procure se acalmar, assim que sua filha for transferida para o quarto podera ir vê-la.

A conversa parecia estar sendo encoberta por varios sons, como em uma especie de oração e foram sumindo até que restou apenas o silêncio.

Por mais algum tempo permaneci no silêncio e na escuridão me perguntando, até que ponto pode a mente de uma pessoa pode chegar antes de enlouquecer?

Em meus pensamentos passei a chamar por Mirian e a resposta não demorou a vir em uma voz de criança e alguns tapinhas em minha perna:

-Moço !

No mesmo instante minha visão começou a voltar e assim pude perceber que estava bem no meio de uma tempestade elétrica, a quantidade de relâmpagos que rasgavam o céu escuro era algo inacreditável e o barulho produzido por eles (trovões) eram ensurdecedores, um espetáculo aterrorizante.

A luz emitida pelos relâmpagos que surgiam em uma sequência muito rápida, me permitia ver com uma certa clareza tudo em minha volta. O lugar em que eu estava parecia sem vida como em um deserto rochoso, definitivamente eu esta bem no meio do "nada".

Novamente a minha atenção foi para a voz de criança que continuava a me chamar:

-Moço, você veio me buscar?

Olhei para baixo e vi bem junto a mim, na altura de minha cintura uma menina, cabelos castanhos bem curtos e cacheados, pele morena clara e usava um vestidinho branco que refletindo o brilho dos relâmpagos, me dava a impressão de estar diante de uma bonequinha de porcelana.

Atendendo ao chamado da pequena bonequinha, me abaixei para ficarmos da mesma altura e antes que eu pudesse perguntar alguma coisa a menina disparou a falar.

-Moço, você vai me levar para minha mãe? Você é amigo da minha mãe? A minha mãe não gosta que eu fale com estranhos; Você é estranho?

Colocando uma das mãos sobre a boca daquela linda e tagarela menina que parecia não se assustar com o lugar onde estávamos, perguntei:

-Menina qual seu nome e como veio parar nesse lugar?

-Iara! (respondeu) Meu nome é iara e eu ja tenho quase cinco anos.

-Como você chegou até aqui? (tornei a perguntar)

Depois de muito insistir ela me respondeu:

-Não sei, eu estava brincando com minha boneca na escada e cai, minha mãe começou a gritar e quando abri os olhos eu vi você.

Tudo me parecia estranho como em um sonho, ou melhor dizendo em um pesadelo, a menina Iara não demonstrava medo frente a todo aquele cenário de pesadelo.

O som dos trovões nos obrigava a falar cada vez mais alto, mesmo assim Iara não parecia se assustar com tudo aquilo, (a menina continuava a falar):

-Moço você vai me levar para minha mãe?

-Iara eu não sei como fazer isso, eu nem mesmo sei onde estamos.

-Então, porque não pergunta para ela? ( disse a pequena iara apontando para o alto a minha esquerda).

Virando para minha esquerda pouco acíma da minha cabeça, a uns dois metros de distância, vi uma esfera de intensa luz verde pouco maior que uma bola de basquete; Seria Mirian? (pensei). Fiquei em pé para me aproximar e logo percebi que seria impossível, quanto mais eu tentava uma aproximação mais a esfera se afastava, sempre mantendo uma distância de uns dois metros.

A pequena Iara segurando a minha mão, insistia para que eu perguntasse a esfera verde como sair daquele lugar; foi o que fiz:

-Mirian é você?

-cala-te e ouvi! Maior é aquele que esta em você, do que aquele que esta no mundo.

a voz era sem dúvida de Mirian, mas diante de meus olhos só havia uma esfera de luz verde. Trazendo a menina para bem perto de mim e colocando uma das mãos sobre sua cabeça, novamente me dirigir a esfera verde e perguntei:

-Mirian, porque estamos aqui e como vamos sair deste lugar?

-Eu sou Mirian! Artur segure a criança pela mão e comesse a andar; Agora!

-Em que direção? (perguntei).

-Aqui como em qualquer outro lugar, você escolhe a direção.

Logo que Mirian parou de falar a esfera desapareceu. Com a cabeça confusa e um tanto quanto apavorado, apertei a mãozinha da pequena Iara e começamos a andar, no meio daquela tempestade de relâmpagos e trovões.

Um vento forte passou a soprar dificultando ainda mais a nossa caminhada e Iara começou a reclamar:

-Tio eu quero a minha mãe! (dizia aos berros) meus pés estão doendo.

Levantando a menina em meus braços, procurei acalma-la e quando ja estava novamente andando algo terrível aconteceu, sombras ou uma espécie de vultos começaram a surgir de todas as direções; Iara me abraçou com mais força e aos berros pedia pela mãe.

Comecei a correr em varias direções tentando me livrar dos vultos que cada vez mais e em maior número nos cercavam, demonstrando querer a menina que eu segurava em meus braços.

Com sussuros e gemidos os vultos pediam para que eu deixasse a pequena Iara com eles, chegavam a implorar. Depois de muito correr e já sem forças para continuar fugindo, cai no chão com meu corpo sobre a pequena Iara para protegê-la dos ataques daqueles seres sombrios que se aglomeravam sobre nós.

A menina aos gritos pedia para que eu a levasse para sua mãe, a violência dos trovões fazia o solo vibrar, os vultos se atiravam sobre nós tentando tirar a criança que eu protegia com meu corpo.

no meio daquele terror eu só conseguia pensar no que Mirian me dissera, (maior é aquele que em você esta, do que aquele que esta no mundo).

Desesperado e vendo que os vultos logo consegueriam arrancar a pequena Iara, comecei a repetir a frase de Mirian cada vez mais alto.

Na medida em que eu repetia a frase, os vultos iam se afastando, até que consegui ficar novamente em pé com a Iara em meus braços.

Voltei a andar em passos largos olhando fixamente para frente, repetindo a frase que Miran havia dito e procurando ignorar os ataques dos vultos que insistiam em tomar a criança de meus braços.

Aos poucos aqueles seres sombrios foram desaparecendo até que restou apenas, eu e a pequena Iara.

-Minha pequena Iara... Agora vamos para casa. (dizia eu, enquanto caminhava cercado por relâmpagos, trovões e vento forte no meio de um deserto escuro).

Quando a criança vencida pelo cansaço adormeceu, uma gigantesca esfera de intensa luz verde surgiu diante de meus olhos a poucos metros de onde estávamos, fazendo cessar os relâmpagos e os trovões, somente o vento forte continuava a soprar na direção da esfera.

Não havia mais nada a fazer e como Mirian afirmara, eu decido a direção e foi o que fiz. Comecei a andar segurando firme a criança em meus braços e entrei na esfera de luz verde na certeza de que la encontraria Mirian.

A luz era forte, eu mal conseguia manter meus olhos abertos, uma forte energia parecia envolver todo meu corpo; Sem que eu pudesse evitar meus braços foram abertos e a pequena Iara por algo invisível aos meus olhos foi levada, eu tentei impedir, mas não podia me mover e a menina desapareceu na intensa luz.

Desesperado por ter perdido a pequena Iara comecei a chamar por Mirian, na esperança de receber dela alguma ajuda para recuperar a criança.

A luz aos poucos foi diminuindo de intensidade até que voltei a ver com clareza.

Estava eu agora, em um quarto e na minha frente bem próximo de mim uma cama, ao lado da cama um rapaz que usava um avental branco e segurava uma pracheta com alguns papéis, definitivamente eu estava em um quarto de hospital e para minha surpresa, quem estava deitada na cama era a pequena Iara que parecia estar dormindo.

O rapaz que examinava os papéis ao lado da cama em que dormia a pequena Iara, apertou um botão na parede e logo uma porta se abriu atrás de mim, entrando por ela uma senhora muito bonita usando também um desses aventais que os médicos costumam usar.

Aquele casal parecia não perceber a minha presença mas isso não me incomodava, a única coisa que eu queria era pegar a criança devolta e leva-la para sua mãe, eu contava com a ajuda de Mirian para isso.

Aproximando-me da cama coloquei uma das mãos na cabeça da criança e chamei:

-Minha pequena Iara, acorda!

Derrepente um grito me fez pular para trás; Teria só agora aquela mulher maluca percebido a minha presença?"pensei". Mas logo percebi que não foi isso que a fez gritar.

A mulher se dirigiu ao rapaz e gritou novamente:

-Corre! Vai chamar o médico de plantão, a nossa menina esta acordando.

-Santo Deus! "Exclamou o rapaz, enquanto saia às pressas do quarto".

Todo meu corpo estava tomado por uma sensação estranha, eu nao podia acreditar que Iara era a criança que a mãe insistia em ver, na conversa que ouvi, na mais completa escuridão antes de ser levado para aquele lugar horrível.

Lentamente a luz foi almentando de intensidade e a ultima coisa que pude ver foi a pequena Iara abrindo os olhos, depois tudo ficou branco e uma voz em meus ouvidos dizia:

-Volta Artur, volta, volta...

Novamente a luz foi diminuindo e minha visão voltou por completo, eu havia voltado para o lugar de onde tudo começou. Estava eu em pé imóvel e Mirian na minha frente se afastava lentamente, subindo, ficando distante.

-Mirian! Gritei seu nome, não podia deixar que partisse, levantei meus olhos cheios de lágrimas e continuei a chamar por Mirian na esperança de que aquela mulher voltasse para ficar comigo, ou quem sabe por uma ordem divina, me levar com ela, tudo em vão; Mirian continuava a se afastar e com um leve sorriso falou pela ultima vez, como que para atender o pedido de um simples homem que suplicava por um pouco de seu nectar divino de mulher:

-Artur, eu sou Mirian, eu vou voltar para aquele que me foi dado, para aquele que chama por mim, Artur eu sou Mirian, eu vou voltar!

Aquela mulher que do nada veio, para o nada voltou, Mirian foi sumindo entre as nuvens que passavam lentamente empurradas por um vento fraco, Mirian não podia mais ser vista, desapareceu e eu fiquei como antes, sozinho.

O frio voltava a se fazer sentir, o vento soprava em meu rosto e nada restava do calor nem do perfume de Mirian, a escuridão da noite começava a esconder toda a paisagem, não dava mais para ficar ali chamando por Mirian na esperança de vê-la voltar por entre as nuvens, com suas vestis verde,com seus cabelos ruivos e seus olhos lilás, estranhos olhos lilás, com seu corpo de mulher que quase podia ser visto nu apesar do vestido que o cobria e seu rosto angelical. Mirian havia partido e nem seu perfume comigo ficou.

Cada palavra, cada traço de seu rosto, cada detalhe de seu corpo, seu perfume, seu calor, tudo, absolutamente tudo ficou registrado em mim.

É certo que Mirian deixou algo e isso me faz acreditar que vai voltar para buscar aquele que a ela pertence.

Mais uma noite vou adormecer chamando baixinho o seu nome.

Assim sera, até que Mirian volte para buscar aquele que chama por ela .

- "MIRIAN VAI VOLTAR !"

--------------------------------------ARTUR. A. GASPAR.

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